Angela Gomes
 
 
 

sexta-feira, novembro 24, 2006

Porque a identidade está no passado?

A conservação patrimonial se tornou uma obsessão, é inquestionável. Prevalece o princípio da reflexividade, diz Henri-Pierre Jeudy, princípio por excelência da gestão urbana, baseado na idéia de que uma sociedade tem melhores condições de gestão quando se vê refletida em seu próprio espelho. Assim, “a transparência do que é transmissível anula a possibilidade de imaginar o que poderia até ser ocultado da memória", e continua...“Nos Centros históricos, os bairros restaurados e as fachadas rebocadas com suas velhas insígnias evocam a cidade perdida, uma cidade mítica da qual não mais encontraremos, olhando ao acaso, os poucos vestígios ainda escondidos, pois foram todos recuperados. A limpeza dos monumentos, desses edifícios urbanos que representam a história da cidade e sua inscrição no tempo, não faz senão consagrar o poder da uniformização patrimonial.”
Tempo de criação de identidades. Paradoxo contido na época pós-moderna, frágil castelo de areia. Auto-questionamento, auto-refazer, talvez seja essa a vantagem e aí esteja contida a esperança.
Talvez identidades necessitem ser refeitas, passada a época de algumas ditaduras, guerras, dominação de massas. Para Michael Hard e Antonio Negri a luta da multidão contra a sujeição de pertencer à uma nação, à uma identidade, é inteiramente positiva e as celebrações atuais do local podem ser regressivas e até facistas quando se opõem à circulação e à mistura.
Não se trata aqui de simples lamento às identidades perdidas. Lágrimas por revitalizações, recuperações... Por que a cultura pomerana do passado é tão importante e a vegetação exótica, coitada, porque veio de fora e se adaptou tão bem ao Brasil, é massacrada? (ok estou sendo irônica – fácil arrumar um paralelo para a situação). Por que no passado é a glória e no presente uma lástima?
O passado foi sacralizado.
Sinto, meu caros, não existem receitas de bolos. Questionamento de generalidades é o que precisamos. Não é qualquer identidade (seja isso o que for) que deve ser preservada ou qualquer Centro Histórico que deve ser “revitalizado".
O que nos falta é resistência ao presente, diriam em coro Deleuze e Guattari.
 

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