Angela Gomes
 
 
 

quarta-feira, maio 14, 2008

Filosofia da Caixa Preta

O fotógrafo lambe-lambe
Foto de: Claus Lehmann



Filosofia da Caixa Preta

Tenho lido autores que falam sobre o domínio das imagens na “contemporaneidade”, Debord, Baudrillard, Santaella...
Ultimamente ando seguindo os passos de Vilém Flusser que tem a capacidade de dizer o muito repetido de uma forma inédita, clara, óbvia. Talvez porque ele mesmo tenha dito que acreditava antes na superfície do que na profundidade das coisas.

Um pequeno trecho da Filosofia da Caixa Preta:

"Tudo, atualmente, tende para as imagens técnicas, são elas a memória eterna de todo empenho. Todo ato científico, artístico e político visa eternizar-se em imagem técnica, visa ser fotografado, filmado, videoteipado. Como a imagem técnica é a meta de todo ato, este deixa de ser histórico, passando a ser um ritual de magia."

Há algum tempo escrevi um artigo relacionado a assunto olhando para a arquitetura:
www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc181/mc181.asp

A Caixa Preta foi escrito em 1983, quando ainda não existiam blogs, photologs ou sites de relacionamento.

Na Filosofia da Caixa Preta e no Mundo Codificado Flusser divide o percurso das imagens em três épocas: pré-história, história e pós-história.
Para ele a pré-história é o mundo da imagem, do eterno retorno, do tempo reversível, cíclico, a-histórico: "O canto do galo convoca o Sol a se levantar, assim como o nascer do Sol convoca o galo a cantar", o tempo é o senhor de todas as coisas. A pré-história é o mundo do imaginado, o mundo do mito, do mágico.
A História se inicia com o surgimento da escrita, "os textos foram inventados no momento de crise das imagens, a fim de ultrapassar o perigo da idolatria".
O mundo dos textos é o mundo histórico, o mundo concebido, das igrejas de salvação, do compromisso político, da ciência e da tecnologia. Nesse mundo o homem é responsável por ele e por seu atos.
A Pós-História - termo criado por ele - corresponde ao mundo posterior ao pensamento linear historicizante. A escrita linear permite o pensamento futuro ao contrário do pensamento mítico anterior, caracterizado pela circularidade e pelo eterno retorno. A pós-história caracteriza um tempo no qual as pessoas vivem num presente constante em que as caixas pretas - que simulam o pensamento humano graças a teorias científicas, as quais como o pensamento humano, permutam símbolos contidos em sua memória, em seus programas - e a constante busca pela superação desses, para a invenção de algo melhor, coloca o homem em um eterno retorno de esforços para superar o que já foi realizado anteriormente, transformando-o em funcionário dos aparelhos.

No decorrer do livro Flusser discorre sobre o ato de fotografar como um exercício para análise da existência humana em situação pós-industrial, aparelhada.
“O aparelho fotográfico é o primeiro, o mais simples e o relativamente mais transparente de todos os aparelhos. O fotógrafo é o primeiro funcionário, o mais ingênuo e o mais viável de ser analisado. No entanto, no aparelho fotográfico e no fotógrafo já estão, como germes, contidas todas as virtualidades do mundo pós-industrial. Sobretudo, torna-se observável, na atividade fotográfica, a desvalorização do objeto e a valorização da informação como sede de poder.”

Ele chama de caixas pretas sistemas complexos, que jamais podem ser penetrados totalmente, onde existam “funcionários” que dominam jogos para os quais não podem ser totalmente competentes.

Filosofia da Caixa Preta - Ensaios para uma futura filosofia da fotografia, 1983
 

blog@daus.com.br

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